15 novembro 2007

Bênção

Bendito
o sol que beija
o rasto de crianças
nuas em busca do que não tiveram.
Benditas
as montanhas
que fazem cópula com a noite,
e ficam virgens mais belas
que as estrelas quando amanhece...
Benditas
as cumeadas
que dormem
em braços de névoa mansa
com lençóis de neve.
Benditos
os rios, que lavam
as serras e os vales,
e benditas as árvores,
a toalha do seu banho...
Bendito
o mar,
fonte de reserva
quando a água da terra se acabar.
Benditas
as florestas
que escondem a liberdade
dos animais...
Bendita
a Natureza,
espelho de beleza
do Criador!
Bendita
a Dor
quando nela há o prazer de um tormento
maior do que o Amor...
Benditos...

Poema de José Nascimento Fonseca, nascido no Nabo em 22-12-1940.
Publicado no jornal Notícia de Mirandela, a 25-02-1969
A fotografia foi tirada no dia 28 de Outubro de 2007, nas margens do Rio Tua, em Vilarinho das Azenhas.

2 comentários:

Li Malheiro disse...

olá.
Ao ver esta foto, tenho a "certeza" porque não chove: Claro! se o céu vem nadar neste belo cenário, esquece-se da sua obrigação para com a humanidade destes lugares, de fazer chover.
Muito belo, felizes os olhos que imortalizam vivendo estes momentos.
abraço.
Li Malheiro

Xo_oX disse...

É verdade Li, este no Outono está a ser completamente diferente do do ano passado. Nem pior, nem melhor, diferente.
Acho que a chuva vai chegar a qualquer momento, serão novas oportunidades fotográficas...
Algumas imagens ganham mais força acompanhadas de vilaflorenses que escrevem e descrevem muito bem a sua terra (que agora também é a minha).

Um abraço